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7 de Dezembro de 2021
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    Você sabe o que é violência obstétrica?

    Vanessa Medeiros, Advogado
    Publicado por Vanessa Medeiros
    há 2 meses


    O parto é um momento sonhado por muitas mulheres. Não importa se será um parto normal ou uma cesariana, o que todas as mulheres tem em comum é o desejo de receberem seus filhos com saúde e serem tratadas com respeito.

    Infelizmente muitas vezes o que era ser um momento feliz se transforma em um pesadelo que deixa traumas para o resto da vida.

    Estamos falando de mulheres vítimas de violência obstétrica. Uma pesquisa coordenada pela Fiocruz revelou que a cada 4 mulheres uma é vítima de violência obstétrica. Estima-se que esse número seja muito maior, já que muitas mulheres sequer conseguem identificar que foram vítimas.

    A violência obstétrica pode ser definida como o desrespeito à autonomia da mulher durante o parto, a realização de procedimentos desnecessários e sem eficácia comprovada e o tratamento ofensivo à gestante e parturiente.

    Muitas vezes a violência se manifesta de diferentes formas: física, verbal, psicológica ou institucional ou sexual.

    A violência física, mais facilmente identificável, é aquela cometida contra o corpo da mulher. Impedir a mulher de escolher a melhor posição para parir, obrigá-la a se movimentar sem que ela queira, impedir a mulher de se alimentar ou ingerir líquidos ou até mesmo amarrá-la na cama são as práticas mais comuns quando se fala desse tipo de violência. Outro exemplo é a manobra de Kristeller, que ocorre quando alguém empurra o bebê para agilizar o trabalho de parto ou até mesmo a negativa de utilização de analgesia quando solicitado pela mulher.

    A violência verbal é uma triste realidade em muitos hospitais e talvez seja a forma de violência obstétrica mais comum. Comentários sobre o corpo da mulher, suas características físicas ou sociais são as mais comuns. Frases que não auxiliam em nada o trabalho de parto e fazem com que a mulher se sinta retraída e humilhada.

    A violência psicológica está relacionada com a violência verbal, porém aqui há maiores consequências sobre a confiança da mulher enquanto mãe e parturiente. São palavras ou comportamentos que deixam a mulher em uma situação de extrema vulnerabilidade, com medo, insegurança e a sensação de impotência diante do ato de parir.

    Por sua vez, a violência institucional ocorre no ambiente em que a mulher irá dar a luz (geralmente hospitais). A forma mais conhecida desse tipo de violência é a proibição do acompanhante, pois embora seja um direito assegurado por lei, ainda existem instituições que insistem em negá-lo, deixando a mulher sozinha nesse momento tão delicado.

    Há mulheres que sofrem tanto durante o parto que suas consequências psicológicas se assemelham as de uma vítima de estupro. Estamos diante da violência de cunho sexual, realizada principalmente através da episiotomia, um corte feito na região genital da mulher que além de causar dor ainda compromete seriamente a vida sexual e a relação da mulher com seu próprio corpo.

    Infelizmente muitas mulheres sobre com essas práticas citadas acima acreditando que o sofrimento é algo normal e que deve ser tolerado. Precisamos falar sobre esse assunto para que as mulheres vítimas busquem a reparação pelos danos sofridos e para que o nascimento seja associado apenas a um momento feliz e não traga consigo nenhuma dor ou trauma.

    Se você ficou com alguma dúvida pode falar comigo clicando aqui , terei muito prazer em te auxiliar.

    Caso você queira conversar comigo ou aprender mais sobre esse assunto, estou à disposição no Instagram através desse link

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    Até logo!

    Vanessa Medeiros



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